terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Atletas mais conscientes
Confesso que quando me abordavam na rua e se referiam à atividade que eu exercia me chamando de “boleiro”, eu me sentia muito incomodado, porque eu sempre me considerei um atleta profissional de futebol e me comportava como tal. O rótulo ao qual eu rechaçava, sob minha ótica, vinha carregado de um preconceito estabelecido nas gerações passadas.
Pela experiência adquirida com o tempo, se torna inevitável ser referência para os mais jovens. Quando questionado sobre a profissão de jogador de futebol e se poderíamos assim como os outros jovens de nossa idade desfrutar das coisas boas da vida, sempre lhes dizia que poderíamos e deveríamos usufruir, pois exercíamos uma atividade muito desgastante e de muita pressão. Mas sempre fazia questão de salientar que tudo deveria ser feito com cautela e certa dose de bom senso. Lembro que usava uma frase: “Há tempo na vida para fazer tudo, mas tudo na vida tem seu tempo”.
O sucesso na carreira está intimamente ligado à nossa condição física e, com isso, devemos ter alguns cuidados com nosso corpo que outros profissionais não precisam ter. Temos que estar com corpo e mentes descansados para conseguir jogar tudo que sabemos e estamos preparados.
Preparação esta que somente conseguimos alcançar se estivermos 100% focados e direcionados para a realização de nossos deveres. E hoje com este calendário cheio de competições e com pouco intervalo para descanso, se o atleta não estiver voltado para atingir o melhor de sua performance e por algum motivo desvirtuar sua mente do que deve ser feito, a chance de que ele tenha dificuldade de entrar e se manter em forma durante a temporada é muito grande.
Ainda temos atletas que não se comportam como deveriam, mas o mercado será o grande filtro deste processo. Os clubes europeus hoje têm muito mais critérios na hora de definir uma contratação, pois investem muito dinheiro e depositam muitas esperanças no jogador que estão adquirindo. Se antes bastava um DVD bem editado, hoje os clubes que contam com informantes espalhados pelo mundo todo, desejam saber mais do que simplesmente a capacidade dentro das quatro linhas. Os clubes se cercam do maior número de informações possíveis a respeito do atleta, para que ao investir num determinado jogador, não corram o risco de fazer um mau negócio, podendo perder dinheiro investindo em um atleta que embora seja muito bom jogador de futebol venha no futuro lhes trazer problemas de comportamento.
A tendência é que tenhamos cada vez mais jogadores de futebol com perfil de atletas, conscientes e comprometidos com a profissão. E que estes relatos que ainda vemos hoje sobre a condição física do jogador “A” ou a falta de condição do jogador ”B” fique apenas no imaginário e fazendo parte de um passado distante.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Continuidade desejada
O desejo de todo treinador é ter a condição de sentar e planejar a montagem do seu elenco para a temporada, e já estando à frente do time há alguns meses esse processo se torna mais fácil, pois conhecendo o material humano que tem à disposição e fazendo um diagnóstico das posições onde há carência de qualidade, poderá formar um grupo bastante equilibrado e que se encaixe dentro da sua proposta de trabalho.
Junto com a permanência do treinador, a manutenção da espinha dorsal do time, com uma base de jogadores experientes, casos de Fred, Conca e Diguinho no meio campo, e lá atrás o Rafael, o clube encaminha-se para um planejamento sustentável o ano inteiro.
O mercado esta difícil, mesmo para aqueles times que têm recursos para ir às compras. A cada dia se torna mais complicado encontrar jogadores que se encaixem no perfil desejado para as exigências do momento.
Para a formação de um elenco competitivo de um time grande, que disputa uma temporada inteira com competições importantes, deve ter-se em mente a possibilidade de poder contar com dois jogadores para cada posição, com exceção do goleiro que deve ter três jogadores disputando vaga e na articulação no meio campo, que é necessário ter um jogador a mais, pois se trata do cérebro do time e por isso precisa estar sempre bem servido.
Dentro desta conta, a primeira providência a ser tomada é olhar para a base com um olhar atento. Identificar os atletas com potencial e acreditar que a garotada poderá acrescentar qualidade e vitalidade ao grupo, assim como os jogadores que aparecerem no ano passado, é uma virtude. Por vezes, uma grande contratação está dentro de casa, pois no intuito de olharmos sempre para fora, desperdiçamos a chance de agregar valor ao grupo sem ter que fazer um grande investimento.
Acho que o Fluminense precisa de duas peças para este inicio de ano. Um primeiro volante que dê mais experiência ao meio campo e um zagueiro, que jogando ao lado de Digão ou de Dalton, possa lhes passar conhecimento e tranqüilidade, contribuindo assim para o crescimento destes jovens e promissores atletas. Entretanto, experiência não quer dizer idade e sim vivência suficiente dentro do campo que lhe dê condições de em diferentes situações estar tranqüilo para atuar com naturalidade.
Se bem que, depois da temporada que o clube fez o ano passado, de toda a pressão que estes jogadores viveram, com a possibilidade de serem rebaixados e ao mesmo tempo podendo se tornar campeões da sul-americana, podemos dizer que o Cuca tem um grupo de jogadores maduros em mãos, e havendo calma e critérios bem estabelecidos no momento de contratar, terá a possibilidade de já no campeonato carioca que tem inicio em janeiro, ter um time ajustado e credenciado ao titulo.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Momento de euforia
O campeonato notabilizou-se não por ter tido no seu campeão aquele time que teve a maior regularidade durante todo o certame, aliás, diga-se de passagem, que não tem obedecido esta lógica. Julgar-se o São Paulo no ano passado, que foi campeão depois de uma arrancada sensacional, mas sim daquele time que assumiu a dianteira no momento certo e foi deixando para trás aqueles times que vinham liderando até o momento.
Julgo justo e destacado o título ter ficado com um time carioca, tendo em vista que o futebol que mais representa a essência do futebol brasileiro havia muito tempo que não comemorava este título. Porém quero ressaltar que é necessário que se faça sempre sob o olhar distante da inebriante emoção e satisfação da conquista, uma avaliação isenta e racional sobre o momento do futebol carioca. Que tem agora o atual campeão brasileiro, mas que deve sempre desejar brigar para ter todos os seus times, em condições senão iguais, semelhantes na disputa de um campeonato que reputo como a competição mais difícil do mundo futebolístico.
Parabéns para Flamengo e Vasco atuais campeões do Campeonato Brasileiro da primeira e segunda divisões de 2009 respectivamente e também ao Fluminense e Botafogo pela manutenção da permanência na elite do futebol pentacampeão.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Faltou alguma coisa?
Um time que faz o que fez o Fluminense no jogo de volta da final da Sul-americana não podia ficar sem o título. Mas faz parte, já que contou com um juiz que amarra o jogo e com um time retrancado. Desta forma, não tem jeito. Não quero que soe como discurso de perdedor, mas se estes dois jogos fossem feitos ao nível do mar, o tricolor seria campeão sim, porque tem o melhor time.
O regulamento diz que faltou um gol para o Flu conquistar o título e eu acho que não faltou nada, pelo contrário. Sobrou muita coisa.
Veja a lista:
- Qualidade técnica para quem envolveu o adversário;
- Aplicação tática durante a partida inteira;
- Seriedade para encarar uma decisão a 100%, mesmo havendo outro jogo importante logo depois;
- Inteligência para encontrar os melhores espaços dentro do campo adversário;
- Ousadia para se expor ao ataque, mas sempre bem posicionado defensivamente;
- Fôlego para correr o tempo todo vindo de uma maratona desgastante de jogos;
- Os jogadores tiveram caráter para encarar a adversidade de frente e tentar superá-la;
- O time teve muito respeito pelo torcedor que foi a campo acreditando que era possível;
- Comprometimento com a vitória durante os 90 minutos.
Diante disso, o gol que faltou foi apenas um detalhe, porque o mais importante o torcedor levou para casa, e muito maior do que quando chegou no Maracanã: o orgulho de ser tricolor que aumentou incontáveis vezes.
E como diz uma frase que eu gosto muito, ”o sucesso é o irmão teimoso do fracasso”. Vamos de novo, porque domingo tem mais!
Um Abraço!
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Conto com sua visita!
Obrigado!terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Paixão e futebol
O Fluminense foi um time compacto, que fez o maracanã parecer ter as medidas diminuídas, pela velocidade com que fazia transição do seu campo de defesa para o ataque. Teve um time sempre perto para as trocas de passes e penetrações que foram a diferença a seu favor dentro do campo.
Alan é um jogador com características semelhantes as do Fred , gosta de estar dentro da área, onde conhece bem, mas foi inteligente em saber flutuar em torno do camisa 9, otimizando melhor os espaços no ataque tricolor. Mas também marcou presença dentro da área, para ser um definidor como no primeiro gol
E Fred... Gol de atacante que mesmo quando recebe a bola de costas e vira para o gol sabe onde está, e melhor, sabe onde o goleiro está e que recurso técnico ele deve usar para surpreendê-lo. E do Conca o que falar... Tento até ser comedido quando falo dele, pois sou fã do futebolista e da pessoa, basta dizer que hoje os meias ficam um quilometro longe da área e ele gosta de estar sempre perto ou dentro dela, como em seus dois gols na partida.
Bom! Muito bom ver o Fluminense jogar do jeito que jogou no Maracanã contra o Vitória. Ver o time jogar assim é ver a alma do torcedor dentro do campo. Quando a paixão das arquibancadas transcende as demarcadas linhas do campo e há uma cumplicidade entre time e torcida não existe outro resultado esperado que não seja a vitória.
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